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No mês de Outubro, a histórica Tiradentes vira cenário para além de obras barrocas, hospedando o melhor do artesanato contemporâneo brasileiro.
A Semana Criativa de Tiradentes de 2025, 9ª edição, aconteceu em meados de outubro na cidade histórica mineira. Dentre os quatro dias de evento, tivemos a oportunidade de conhecer expressões artísticas e artesanais de todo o Brasil. Além do destaque para os artistas mineiros, que expuseram suas obras em várias casas históricas dedicadas ao longo do evento.
Dentre os mineiros, destaque para a curadoria de produtos artesanais feitas por Ronaldo Fraga, em especial aos bordados e ao trabalho manual dos artesãos de Mariana, cidade que sofreu com a calamidade do rompimento da represa de Brumadinho. Em outros espaços criativos da cidade, o evento deu vazão para a criatividade de dois estados nesta edição, o estado do Pará e o estado da Paraíba, ambos com casas dedicadas às suas artes.
A Casa Paraíba contava com bebidas refrescantes a todo momento, um forró esporádico para alegrar o ambiente e condizer com a alegria das suas peças. Bordados coloridos, luminárias feitas de escama de peixe foram os destaques para mim.
Na Casa Pará, o grande destaque desta edição foram os brinquedos de miriti, uma aposta que a Okatoka faz há anos. O miriti é a madeira de uma palmeira em formato de leque. Para que a sua madeira seja utilizada, nenhuma árvore é derrubada. Os galhos cortados fazem parte da poda. Quando cortados, a sua casca serve para a cestaria e o seu miolo serve para os artesãos moldarem em diversos formatos que viram brinquedos. Também conhecido como o isopor da Amazônia, esse material é levíssimo, porém não se deixa enganar. Sua resistência surpreende. Para fazer os brinquedos, os artesãos escupem nesta madeira e depois utilizam tintas naturais e atóxicas para completar o trabalho. Os motivos mais encontrados são os motivos amazônicos, bichos, pássaros e temas culturais e religiosos da região. O miriti pode ser considerado um artesanato sócio, sustentável, ambiental, pois mexe com a economia da cidade, mantém viva a cultura do artesanato local e gera renda para vários ribeirinhos e uma cadeia inteira de valor envolvida na produção desse artesanato, desde a coleta da madeira até o artesão que esculpe a madeira. A empresa de arquitetura Gua Arquitetura de Belém do Pará é responsável por um projeto que trabalha diversos objetos de decoração com o miriti, objetos esses que já foram até expostos em exposições internacionais.
Confira alguns outros trabalhos e exposições encontrados e espalhados pela cidade, nos diversos espaços dedicados, assim como ao ar livre. A cidade transpira decoração ao longo de todos os dias do evento. Sem contar que Tiradentes, por si só, já tem o seu charme.
Enfeitada com artesanatos do Brasil inteiro, ela fica, se isso é possível, ainda mais especial. Não deixe de visitar a Semana de Tiradentes, se você gosta de artesanato, para conhecer a história de vários artistas nacionais. Ou confira na Oca Toca uma curadoria destas peças para você colocar em sua casa e trazer mais brasiliedade e cor para ela.
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O maior centro cerâmico da Amércia Latina.
Um oásis cerâmico no baixo-sul baiano, o distrito de Maragojipinho abriga mais de 100 olarias, e oferta trabalho para 80% da comunidade. A técnica, passada de geração a geração, assim como peças icônicas criadas no local, são o grande destaque da visita.
Uma visita memorável para quem gosta de artesanato é o distrito de Maragojipinho, localizado no Recôncavo Baiano, com acesso por estrada apenas (BR) ou via balsa e carro, atravessando a Ilha de Itaparica. São mais de 300 anos de história e técnica repassada de geração para geração. Sem contar nas inúmeras criações originais da região, com destaque para a moringa em formato de boi bilha – um clássico nacional.
Dentro os grandes mestres da região, destacamos Seu Zé, Seu Taurino Silva, morador de longa data do distrito e artesão desde 13 anos de idade. Sua história não é diferente de vários outros artistas da região que, com dedicação, alcaçaram reconhecimento com suas peças e tiraram o sustento de uma vida toda na cerâmica. O início como oleiro é o trajeto mais comum para aqueles que engajam na profissão ainda jovens. Seu Zé é um dos grandes mestres a replicar o boi bilha em tamanhos variados, e hoje suas obras são inspiração para ceramistas em formação.
Com forte influência indígena e afro-brasileira, Maragojipinho produz peças com alcance nacional e que remetem imediatamente à Bahia – quer ver?
O Projeto Okatoka visitou Maragojipinho em diversas ocasiões e destaca algumas peças na coleção “Cerâmica Baiana”, disponível para o público que queira levar um pouquinho deste axé para sua casa.
Um artesanato típico da Amazônia que merece sua atenção.
Os brinquedos e artesanato de miriti (ou buriti) são um símbolo de sustentabilidade e orgulho da cultura paraense.
Feitos a partir da palmeira de Miriti, as peças esculpidas são feitas por homens e mulheres de uma comunidade ao Norte do Estado do Pará, há 100km de distância de Belém.
Misto de cores, criatividade, sustentabilidade e tradição. Além de otimizar o uso da palmeira – conhecida pelo o óleo extraído dos seus frutos, esse trabalho completa seu ciclo de sustentabilidade aplicando cores e tintas atóxicas na finalização.
As associações de artesãos locais conta com mais de 100 inscritos. Esses ribeirinhos têm o miriti coo fonte de renda de suas famílias, que vivem da extração da palmeira e fabricação das peças.
Várias brincadeiras locais ficam evidenciadas nas peças – o folclore da cultura miritizeira é eternizado através do artesanato, em peças que você pode adquirir com exclusidade por aqui.
A leveza da madeira do miriti (o isopor da Amazônia), é transformado em obras de artes, produz brinquedos e mantêm tradições.
Descubra a autenticidade do Miriti Amazônico , moldado por diversos mestres, parceiros da Okatoka, na nossa Coleção atual.
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De Anitta aos cenários da casacor – as peças de cerâmica do Instituto Maria do Barro têm conquistado o Brasil inteiro com seus traços esculpidos na cerâmica que representam aspectos populares da cultura do nosso país. Conheça um pouco da nossa visita.
Para além das peças decorativas, que por si só, já são um deleite para os olhos, a história do Instituto é uma daquelas que também enchem os olhos – de lágrimas. Um misto de alegria e tristeza (pela realidade de tantas mulheres no Brasil), de garra e determinação, de um coletivo de mulheres que, unidas, conseguem prover uma vida digna aos seus entes queridos.
Maria do Barro, a matriarca, cearense de Baturité, foi a fundadora desse instituto de assistência social que produz peças de cerâmica para sustento do projeto. Com o objetivo de capacitar mulheres e jovens em situação de vulnerabilidade, Maria do Barro, conseguiu unir essa força de trabalho sob o mesmo galpão.
“Emponderar mulheres, proporcionar um trabalho que elas possam organizar dentro da rotina delas de casa – nós ajudamos elas dessa fora.” afirma Dadá do Barro, a sucessora de Maria. Hoje, são 25 mulheres que trabalham no Instituto e conseguem proporcionar uma vida digna, com moradia e renda própria. Idalete, a Dadá, também nordestina, mudou-se com as filhas para Brasília no início dos anos 2000. Criada na roça de Bacuri – MA, impressiona com sua força e destreza, ao comandar o Instituto, após a morte de Dona Maria. Por circusntâncias do acaso, chegou à cidade de Planaltina e pouco tempo depois, ao galpão de trabalhos manuais de Maria do Barro. Logo se tornou seu braço direito e sua dama de companhia. Ficou ao seu lado até seus 87 anos, quando Dona Maria faleceu.
Para além dos trabalhos artesanais desenvolvidos ao longo dos mais de 25 anos de trajetória, as mulheres ligadas ao Instituto conseguiam, também, um lugar para morar nos diversos assentamentos criados por Maria do Barro. O Barrolândia, se tornou o mais conhecido deles, muito por conta da prestigiada coleção de cerâmicas homônima que explodiu de uma década para cá.
Como se nota, a preocupação com o bem-estar das moradoras da região está no DNA do Instituto. Conhecida como uma pessoa caridosa, Maria do Barro atuava transformando vidas para além do seu espaço. Uma dessas ações foram as inúmeras visitas aos presídios femininos para ensinar tipos diferentes de trabalhos manuais, a fim de entreter as presidiária e promover momentos de descontração e conversas.